Free Advertising Twist of Destiny: 2009

terça-feira, 26 de maio de 2009

Realidade Relativa parte 1


Realidade Relativa

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– Vocês estão certos que seguiram todos os procedimentos?
A pergunta do homem de jaleco branco e óculos redondos foi direcionada aos dois jovens que carregavam uma câmara de criogênica, uma das muitas usadas para congelamento de corpos de espécimes de laboratório, mas essa era especial, ela carregava um espécime vivo que estava sendo mantido em coma induzido. O espécime: uma jovem humana.
– Sim senhor.
Os rapazes levaram-na até uma sala com uma imensa estrutura cilíndrica onde a câmara em que a jovem dormia foi conectada. Aí começava um longo procedimento que faria com que a garota durasse um longo período de tempo, ela nunca envelheceria. Mas sua juventude eterna tinha um preço, ela também não poderia sair dali, ou sequer acordar.
– Você, minha criança, é o futuro que a humanidade tanto espera.

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– Ah!Socorro!Polícia!Estão me roubando!
Enquanto a mulher estérica gritava,o Skydriver dirigido por aquele que a roubara estava correndo em toda velocidade pelos becos da periferia de Londres. Logo atrás dele apareceram dois policias, também em Skydrivers que corriam a toda velocidade. Todas as três máquinas flutuantes zuniam no ar dada a velocidade na qual se locomoviam. Skydrivers foram originalmente feitos para flutuar, mas aqueles voavam, criando ondas de ar que derrubavam tudo a sua volta. De repente, o Skydriver do ladrão fez uma curva brusca entrando em uma ruela, mas ao fazerem a mesma curva os policiais ficaram presos, o modelo do ladrão era mais antigo, e os da policia eram mais novos, seguros e, conseqüentemente, maiores. Era a fuga perfeita. A polícia londrina nunca havia sido uma as melhores de qualquer maneira, nem o Império Europeu e nem no mundo atual.
As ruas da periferia de Londres eram, como a de qualquer outra periferia, sujas, pichadas e mal cuidadas, com estruturas metálicas a vista de todos e placas solares despencando de cada telhado. Sua aparência era gélida e morta, apesar do calor que fazia. Poucas pessoas estavam nas ruas, nestes tempos de vacas magras, esqueléticas seria o termo melhor, era mais seguro estar dentro de casa. Mas segurança era uma palavra na qual só as crianças, que não fossem de rua, acreditavam. Até mesmo para um assassino o mundo estava perigoso. Não há honra entre os ladrões. Ou os assassinos.
Diminuindo a velocidade de seu Skydriver, e agradecendo por ele ter lhe servido durante todo o caminho, o ladrão entrou em uma casa abandonada, desligando a máquina, largando de seu guidão e saindo de seu acento. Após desligada, ela desceu lentamente até encostar no chão.
O rapaz conectou-a em um carregador por energia solar e retirou o capacete que usava, mais para esconder o rosto do que para qualquer proteção. Ele era alto, jovem, aparentava estar nos seus 28 anos e mostrava um corpo forte, como o de alguém que já tinha experiência em lutar para sobreviver. Cabelos curtos, e de um castanho tão escuro que beirava o preto. Seus olhos, um castanho esverdeado eram profundos e mostravam determinação.
Ele abriu a sacola preta e olhou de novo os frutos dos roubos deste dia, sorriu, havia bastante. Não se orgulhava de roubar, mas que outra opção lhe restara? Vivia como rato, aquilo não era digno de um humano. Mas naqueles tempos, a palavra “humano” havia se tornado termo pejorativo. As pessoas eram animais, e definitivamente, haviam aderido a lei da selva, cada um por si. Estavam abandonados a própria sorte. Os mais fracos se juntavam em bandos, tudo pela sobrevivência. Já os mais fortes, eufemismo para mais ricos, viviam sem muitas preocupações. Viver era termo reservado apenas aos ricos, pois o resto, a maior parte da população do mundo, apenas sobrevivia. Era o fim dos tempos.
Mas ninguém ligava. Enquanto houvesse forma de sobreviverem nunca ligariam. Eram poucas as pessoas que se arriscavam a dizer que o mundo já fora melhor, ou que, ao menos, deveria vir a ser. A maior parte das pessoas não conhecera outra coisa se não aquela miséria. De fato, todos haviam nascido após a a chamada Guerra do Novo Mundo. Mas as coisas seriam diferentes se o passado fosse conhecido, mas como? Não havia educação, sortudo aquele que conhecesse a Universe, termo diminuído para Língua Universal, aquilo que fora decido como a língua que todos falariam, mas obviamente haviam distinções entre a Universe falada de um lugar para o outro. Se mal o povo aprendia a ler e escrever, o que dirá história então? Só os ricos saberiam dela,e mesmo assim, estava óbvio que toda informação era controlada. Como evitar um revolução de outra maneira?
Eles estava pensando de mais, deveria agradecer por saber o inglês, língua morta que se falava em Londres antes da instituição da Universe. Ele já nem se lembrava mais como tinha aprendido aquilo, mas também não se importava, não lhe era útil mesmo.
Caminha mais para dentro da casa abandonada, ele abriu zipper da jaqueta de couro, artigo raro que por sorte conseguira em um roubo, e chegou a uma porta metálica grande o suficiente para passar um carro nela, flutuando a uns bons um metro e meio do chão. A porta abriu com um barulho incômodo e revelou um espaço aberto rodeado por outras casas de no máximo quatro andares, também abandonadas e em péssimo estado. Lá estavam diversas pessoas, mulheres, homens, na idade dele, alguns poucos anos mais velhos, mais jovens e algumas crianças. Poucos o perceberam, em específico um grupo de dois garotos e uma garota.
– Hey, Mike! Demorou bastante né?!Que é que você conseguiu dessa vez?
– Qual é a preça Ângela? Eu demorei por causa da estérica que fez um escândalo quando eu roubei ela.
– Eu também faria se um delinqüente me roubasse.
– De que lado você está mesmo?
Ela soltou um rizinho e, agarrando-o pelo braço foi o puxando na direção dos dois rapazes.
– Vamos logo,estamos todos esperando para saber se vai ter jantar hoje.
Ângela era uma garota considerada bonita, talvez um ou dois anos mais nova que Mike, magra, como a maior parte da população, mais não esquelética, ao menos. Tinha cabelos cor castanho mel, que apesar da falta de cuidados não eram feios. Seus olhos, um marrom que não era lá tão encantador ou brilhante, mas mesmo assim, não enfeiavam o rosto branco dela, que fazia diferença da pele mais escurecida de Mike, ele não poderia ser considerado moreno, mas mostrava uma pele um pouco diferente da dos outros, mesmo que a cor fosse mínima.
A feminilidade da jovem não era escondida nem mesmo pelas roupas pretas e largas, necessárias para proteger-se do terrível clima da cidade. O sol forte com certeza queimaria sua pele, enquanto a sujeira no ar entraria em seus poros. E não se podia gastar água com banhos.
Num canto, sentados em torno de uma mesa metálica estavam os dois rapazes, um aparentava ter a idade de Mike, enquanto o outro devia ter a mesma idade de Ângela.
– Então Mike, o que temos hoje?
O garoto que aparentava ter a idade de Mike se ajeitou na cadeira com um ar de ansiosidade por ter sua pegunta respondida. Ele também era forte e alto, maior que o próprio Mike, negro, de olhos assustadoramente azuis e usando uma bandana preta que cobria a cabeça quase completamente raspada.
– Mais que ontem, com certeza. Tem até bebida e cigarros, acho que podes comemorar, não?
– O que de útil você tem,Mike?
– Desculpe a Ângela, ela queria dizer : “O que você tem que pode ser dividido com todos, incluindo os menores de idade,Miguel?”
O segundo rapaz lançou um olhar para Ângela que dizia para que ela usasse mais a cabeça, ai invés de simplesmente dizer o que lhe vinha a cabeça. Ele tinha aparência mais magra, definitivamente não era lá do tipo lutador, tinha um cabelo loiro areia e uma pele branca amarelada, e olhos castanho claros, apesar de mais novo seus olhos não brilhavam com a mesma jovialidade dos de Mike.
– Mark, já falei pra parar com a mania de me chamar pelo meu primeiro nome!Não me importo com o apelido Mike.
– Não vejo o problema em Miguel...
– Mark, por quê você está sempre defendendo o Mike? E você também Derek.
Mark e Derek se entreolharam, enquanto o primeiro decidiu virar a cabeça, Derek, preguiçosamente coçou a cabeça por cima da bandana e, com um olhar despreocupado respondeu as reclamações da jovem.
– Você quer roubar, Angel?
– Isso é golpe baixo Derek!
– Se não rouba, então não reclame.
– Idiotas! Ande logo, só mostre o que você tem Mike!
– E quem você agora?A Rainha?
Mesmo lançando esse comentário ele esvaziou a sacola na mesa, entre várias coisas havia comida, duas garrafas d'água, pequenas, mas já eram alguma coisa, dinheiro, algumas peças de roupa e outros utensílios. A sorte lhes sorria.
– Maré de sorte?
– E desde quando “Mark o Nerd” acredita em sorte?
– Desde o momento em que duas garrafas d'água apareceram.
A resposta de Derek exemplificava o que os três pensavam. A sorte lhes sorrira.

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